terça-feira, 25 de novembro de 2014

Agulha Revista de Cultura | Fase II | Número 9 | Editorial




Estudo de proporções: autorretrato de uma Agulha

Recordar a trajetória editorial da Agulha Revista de Cultura é algo que por vezes se impõe, quando menos como evidência de uma realização. Nem sempre tal lembrança reproduz com igual voltagem a carga elétrica de que esteve repleta cada edição e a temperatura de suas conexões. Talvez aqui eu me exceda em uma síntese inevitável, pela reiteração da memória e também por certo distanciamento autocrítico ou mesmo o amadurecimento da prática editorial. Nada disto, no entanto, imagino que comprometa a incontornável constatação de que a Agulha Revista de Cultura - que tão carinhosamente tratamos por ARC, como o princípio de navegação de uma arca que tem até aqui ousado em tirar da deriva do esquecimento temas e autores que por injustiça, intencional ou não, foram se tornando invisíveis na franja da correnteza da história de nossas culturas -, pois bem, esta aparente frialdade com que a memória pontua sua contingência biográfica não desdiz o calor com que tecemos, fio a fio, o mapa de quase uma centena de pautas. Recordemos, então, uma vez mais.
Segundo semestre de 1999, eu tinha em mãos um excedente de matérias alheias por publicar, graças a uma aventura editorial frustrada. Em conversas com Rodrigo de Souza Leão, ele então sugeriu a criação de uma revista virtual. Não conheci Rodrigo pessoalmente, porém alguns meses antes ele me havia entrevistado e nosso diálogo teve alguma mínima repercussão em uma web que então engatinhava: www.jornaldepoesia.jor.br/r2souza09c.html. Partimos então para a revista, com a ajuda dele no tocante a design e ancoragem em um provedor. Pauta definida, faltava batizar a publicação. Defendi então que não importava qual palavra utilizássemos e sim a intensidade de sua vibração, de sua percussão na pedra dura do tempo. Recordo haver dito de improviso que tanto poderia ser cadeira, leão ou agulha. Estava então batizada a Agulha Revista de Cultura.
Dois ou três números depois me encontro para uma cerveja com Soares Feitosa, ele então no auge de seu monumental projeto do Jornal de Poesia, me sugeriu coordenar ali um equivalente banco de dados dedicado à poesia de língua espanhola. Assim surgiu a Banda Hispânica, que levou consigo para o provedor do Jornal de Poesia a Agulha Revista de Cultura, com algumas alterações tanto no design quanto na direção, quando então Claudio Willer passa a dividir comigo a direção. No esteio dessa aventura configuramos melhor todo um projeto envolvendo a Net como base de circulação: viagens, traduções, ensaios, entrevistas, organização de livros, a criação dos Projeto Editorial Banda Hispânica e Projeto Editorial Banda Lusófona, por dez anos esta parceria deu os melhores e mais diversos frutos.
Cumprida a safra, a revista tomou outro curso, denominando-se apenas Agulha Hispânica, por dois anos dedicada unicamente à difusão e reflexão da cultura de língua espanhola, tão somente sob a minha direção. Foi outra valiosa colheita, o que me levou em seguida a convidar Márcio Simões para dividir comigo mais uma estação, voltando a ampliar o espectro editorial, algo que denominamos de fase II da Agulha Revista de Cultura. Sempre ancorados na generosidade do Soares Feitosa e do Jornal de Poesia, agregamos à nossa pauta textos em outros idiomas, além do português e do espanhol, vindo a publicar matérias em inglês e francês, o que naturalmente nos deu mais visibilidade junto a novos leitores.
Márcio Simões então havia criado um selo editorial artesanal, a Sol Negro Edições, que surge a partir de seu encontro com Camilo Prado, que vinha já desenvolvendo outro projeto artesanal, as Edições Nephelibata. Nova cumplicidade estabelecida, agora abrangendo também a edição de livros, tanto impressos quanto virtuais, neste caso graças à criação do selo ARC Edições: www.jornaldepoesia.jor.br/ARCcatalogo.htm que logo passaria também a editar livros impressos. Também o registro de páginas desses projetos editoriais em uma das redes sociais, o Facebook, tem sido relevante em uma ampla difusão de nossos trabalhos. Nisto seguimos.
Agulha Revista de Cultura teve desde o princípio inalteradas algumas características, cabendo destacar aqui tanto a configuração de uma pauta que buscasse prioritariamente criar um ambiente de diálogo e reflexão sobre a criação artística quanto a permanência de uma galeria virtual que a cada número contava com uma substanciosa mostra de um artista convidado, sem esquecer um painel que dedicamos a diversas outras revistas de arte e cultura  publicadas em vários países, tanto impressas quanto virtuais: www.jornaldepoesia.jor.br/agrevistas.htm. Graças a uma dessas características, a revista ganhou em 2007 um prêmio da ABCA - Associação Brasileira de Críticos de Arte, por sua contribuição à difusão das artes plásticas no país: www.youtube.com/watch?v=lnfzLYblA50.
Atualmente mesclamos as cumplicidades envolvidas em uma produção ininterrupta que envolve Sol Negro Edições (http://solnegroeditora.blogspot.com.br/), Edições Nephelibata (http://edicoesnephelibata.blogspot.com.br/), ARC Edições (www.facebook.com/arclivros) e Agulha Revista de Cultura (www.jornaldepoesia.jor.br/agportal.htm e www.revista.agulha.nom.br). Com este bom espectro editorial a revista deixa de ter uma periodicidade rigorosa, e passa a apresentar novas edições na medida do essencial. Não encerramos nova fase ou mesmo nos afastamos de nossa viagem. Ao ampliar o mapa de atividades o que buscamos é justamente o oposto, reforçar nosso entendimento do que se deve realizar em termos de navegação e escritura, dos limites novos que devem sempre ser rascunhados na forma de uma partitura de horizontes. Assim vamos. Abraxas 

Os Editores 


SUMÁRIO

1. ALCEBIADES DINIS | Projeções no limite do ocidente: sobre o Surrealismo e as vanguardas na Romênia – entrevista com Andrew Condous
2. ALFONSO PEÑA (entrevista) / FÁBIO HERRERA (presentación) | De la colección de retratos de la familia Brito, a la exuberancia de la naturaleza en Tapantí: Gerardo González y su música abstracta
3. BEGOÑA PULIDO y JOSÉ ÁNGEL LEYVA | 20 Poetas Mexicanos del Siglo XX
4. CÉLIA MUSILLI | Maura Lopes Cançado: a palavra muito além da loucura
5. CÉSAR SECO | El canto feroz de Enrique Lihn
6. DAVID CORTÉS CABÁN | Lêdo Ivo: “¿Qué somos nosotros sino eternidad?”
7. FLORIANO MARTINS | Investigaciones sobre la tradición lírica en Bolivia en el siglo XX
8. GABRIEL JIMÉNEZ EMÁN | Una discusión con la existencia: ensayos  y conversaciones de Emile Cioran
9. GASPAR GARÇÃO | Philip K. Dick: realidade e simulacro no pós-modernismo da Ficção Científica
10. JOAQUIM SIMÕES | Encontros com Nicolau Saião
11. KLÉBER LIMA | Hospício é Deus, de Maura Lopes Cançado
12. LEONARDO DE MAGALHAENS | Roberto Piva: crítica & poética
13. LUCILA NOGUEIRA | vanguarda e loucura em Ângelo de Lima
14. MANUEL IRIS | La Obra suspendida de Francisco Hernández
15. MÁRCIO SIMÕES | Murilo Mendes: janelas verdes & espaços abertos
16. MARIA ESTELA GUEDES | Três autores malditos: Herberto Helder, Luiz Pacheco e Manuel de Castro
17. RONALDO CAGIANO | Rosário Fusco: vulcânico, genial e incompreendido
18. SUSANA WALD | Musings about the marvelous

ARTISTA CONVIDADO | W. J. SOLHA | Sérgio Lucena – encontro de duas águas: o fim e o princípio


Página ilustrada com obras de Leonardo da Vinci, artista convidado desta edição de ARC.



Agulha Revista de Cultura
Fase II | Número 9 | Agosto de 2014

editor geral | FLORIANO MARTINS | arcflorianomartins@gmail.com
editor assistente | MÁRCIO SIMÕES | mxsimoes@hotmail.com
logo & design | FLORIANO MARTINS
revisão de textos & difusão | FLORIANO MARTINS | MÁRCIO SIMÕES
equipe de tradução
ALLAN VIDIGAL | ECLAIR ANTONIO ALMEIDA FILHO | FLORIANO MARTINS

GLADYS MENDÍA | LUIZ LEITÃO | MÁRCIO SIMÕES

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