terça-feira, 12 de setembro de 2017

AGULHA REVISTA DE CULTURA # 102 | Setembro de 2017 | Editorial


O amor pelas palavras

Uma mesa virtual, um respeito mútuo entre dois editores e uma aposta na essência do amor pelas palavras, foi o suficiente para que de um único encontro entre Leda Rita Cintra e Floriano Martins brotasse uma árvore relevante, destinada à difusão de obras de circulação pelo mundo digital. Assim nasce a coleção “O amor pelas palavras”, uma coedição entre Editora Cintra e ARC Edições. Livros de venda exclusiva através da Amazon, a coleção estreia com cinco títulos, tendo por meta a publicação de 15 mais até o final deste ano. Livros de circulação para leitores de línguas espanhola e portuguesa, aqui inserimos duas conversas que os editores mantiveram com Alfonso Peña e Claudio Willer.

CATÁLOGO DE LANÇAMENTO

VOLUME 1 | Memória de Borges – Um livro de entrevistas, de Floriano Martins
A Editora Cintra, iniciando sua parceria com a ARC Edições, apresenta Memória de Borges, contendo entrevistas que Jorge Luís Borges deu à imprensa local de vários lugares do mundo por onde passava para dar conferências, aqui compiladas por Floriano Martins. Borges não pode ser esquecido, a excelência de sua obra não nos permite o esquecimento; logo, suas palavras aqui mostradas também não.

VOLUME 2 | Escritura Conquistada – Conversaciones coN poetas de Latinoamérica, de Floriano Martins
Este es el segundo título de la colección O AMOR PELAS PALAVRAS, una complicidad editorial entre ARC Edições y Editora Cintra. El libro, en sus 756 páginas, recurre el imaginario lírico de Latinoamérica, registrando los aspectos más esenciales de la creación a través de sus principales voces poéticas. El brasileño Floriano Martins conversa con 55 poetas de 20 países latinoamericanos en diálogos que suman casi tres décadas de aventura intelectual.

VOLUME 3 | Farelos do Mytho – teatro de farsas, de Zuca Sardan e Floriano Martins
As deliciosas peripécias descritas e desenhadas, no século XIX, pelo genial Wilhelm Busch, o criador das histórias-em-quadrinhos, tem sua força justamente no contraste da alegria da Fantasia face à carranca da Realidade. No fim, o Mito é sempre posto em farelos pela realidade prática… Nesta múltipla aventura – do teatro automático à narrativa patafísica –, realizada a quatro mãos pelos poetas brasileiros Zuca Sardan e Floriano Martins, concluímos que quanto mais destroçado o Mito mais força ele ganha e retorna para nos salvar de sermos, simplesmente, uns macacos lógicos e eruditos. Farelos do Mytho é uma das mais requintadas proezas estéticas de nosso tempo, reunindo teatro, narrativa, desenhos, fotografias, colagens em um caldeirão delirante sob a pena satírica de dois poetas. Venha conferir esta sessão de estripulias, em cartaz na coleção O AMOR PELAS PALAVRAS, da fabulosa cumplicidade da Editora Cintra com a ARC Edições.

VOLUME 4 | Invenção do Brasil, de Floriano Martins
Invenção do Brasil, do brasileiro Floriano Martins, poeta e ensaísta, é um volume que reúne ensaios e entrevistas cujo tema central assume a ousadia de propor justamente o que se anuncia no título, a invenção de um Brasil que seja fruto de uma arte e uma cultura com a grandeza incontestável que caracteriza o país, embora sob o manto da invisibilidade, grandeza tomada de assalto pela superficialidade do que circula com ares de oficialidade. O livro trata das mais variadas questões envolvendo diversos gêneros artísticos, além de aspectos estratégicos, como direção de revistas, curadoria de exposições, entraves burocráticos etc. O livro é, portanto, um desafio ao leitor, para que, no fim desta viagem, invente o seu próprio Brasil.

VOLUME 5 | Tratados de Harmonia – Ensaios sobre arte contemporânea, de Jacob Klintowitz

O crítico de artes, brasileiro, Jacob Klintowitz (Porto Alegre, 1941) é um dos intelectuais mais atuantes no país, além de possuir obra dotada de espantosa singularidade, seja pela extensão como pela luz que incide sobre o objeto de todos os seus estudos. Escreveu sistematicamente para órgãos de imprensa como Tribuna da Imprensa, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, revista Isto É, tendo sido redator e crítico de arte da TV Globo. Foi curador do Espaço Cultural Citi, assim como conselheiro do Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi e do Museu Judaico de São Paulo. Vice-presidente do Instituto Anima de Sophia, ganhou por duas vezes o prêmio Gonzaga Duque, da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Com uma bibliografia que chega a 174 títulos publicados, escreveu sobre artistas e temas os mais variados e consistentes de nossa cultura. Tratados de Harmonia reúne estudos preciosos e reveladores sobre a obra de destacados artistas brasileiros: Antonio Bandeira, Arcangelo Ianelli, Claudio Tozzi, Henrique Léo Fuhro, Inos Corradin, Israel Pedrosa, Ivald Granato, Marcello Grassmann e Rubens Matuck.

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DUAS CONVERSAS COM OS EDITORES

1. ALFONSO PEÑA | Narrador e diretor da revista Matérika, da Costa Rica

AP | Leda  & Floriano, su travesía por publicaciones de revistas y ediciones de libros es muy amplio y de gran recorrido. Me parece que para nuestros lectores y amigos será importante conocer sus observaciones y comentarios sobre el hechode como dos sellos editoriales se compaginan y entran en complicidad para publicar libros en formato eBook…  ¿Esencias, descubrimientos?

FM | Hay dos puntos complementares. El primero es una estrategia de mercado. El segundo, mi admiración por este trabajo editorial que hace tiempo realiza Leda. Hay un modo, todavía hay, de hacer del mercado algo más humano. Además es muy importante la complicidad, en todos los sentidos, sobre todo en un tiempo como el nuestro, en que el aislamiento posee un acento muy peligroso.

LRC | Concordo com Floriano na admiração,  admiro em Floriano  esse trabalhador da cultura latino-americana, que acredita em transformar os homens pela cultura. Admiro e aceito sua ideia de cumplicidade, uma cumplicidade muito necessária para que possamos continuar a caminhar sem nos atermos a especificações solitárias e imunes a compartilhamentos culturais e humanos, o que  apenas traz o isolamento de cada homem ou mulher.

AP | Editora Cintra y ArcEdições, poseen en sus catálogos títulos importantes, en algunos casos con autores de gran bagaje y prestigio como fue el primer título sobre las entrevistas concedidas por Jorge Luis Borges y recopiladas por FlorianoMartinspara esta edición… ¿Qué esperan de este título con el que inicia la colección?

FM | Nuestra preocupación central es con la configuración de un catálogo que sea al mismo tiempo diversificado y relevante. La idea es buscar títulos que expresen una distinción en relación al mercado común. Memoria de Borges es una selección de entrevistas que ha dado a la prensa el poeta argentino en su pasaje por varios países, en sus viajes como conferencistas. Este material estaba disperso, en grande parte los periódicos habían cerrado sus puertas, así que es un libro muy raro y revelador del carácter de Jorge Luis Borges. En esta misma dirección estamos preparando libros de autores como Vicente Huidobro, Aldo Pellegrini, Jacob Kintowitz. Lo que esperamos con esa apuesta editorial es ofrecer al lector una muestra significativa y diversa del arte y el pensamiento en nuestro tiempo, desde principios del siglo pasado hasta hoy.

LRC | Nesta pergunta percebo a preocupação com o destino que receberão grandes autores, livros e ideias com as atuais publicações; uma preocupação que ainda não é a nossa, se pensarmos no grande público, mas que é nossa se pensarmos em levar a grande literatura, no sentido de autores e textos de qualidade excelente, para um público que tem o direito de ter preservados livros como esse de J. L. Borges e outros que constam dos catálogos dessas duas editoras, livros que sem essas publicações estariam perdidos nos armários e gavetas, alguns nas memórias de quem os leu, mas longe das prateleiras das livrarias e gráficas.

AP | La propuesta editorial de ustedes como editores se puede entender como una manera de enfrentar la crisis en los sistemas capitalistas… Ante la “difundida” caída del libro impreso, consideran que los eBooks es un modo efectivo de combatir la crisis… 

FM | Hay en esa perspectiva más de deseo que de modo efectivo. Además es un riesgo pensar en las cosas como siendo excluyentes. Eso es muy común en Brasil, dejar una cosa por otra, cuando es plenamente posible la común relación entre varias cosas. ARC Edições sigue con sus libros impresos, ahora mismo presentamos un libro muy bello, en colores, sobre las esculturas de un importante artista brasileño: Valdir Rocha. Sumamos nuestro esfuerzo en búsqueda de un sitio mágico en que el arte y el pensamiento alcancen una perfecta mecánica de interrelación. Igual seguimos con la publicación mensual de Agulha Revista de Cultura e sus series especiales. Hay mucho trabajo y este es el modo más efectivo de ser: trabajar para combatir las crisis todas, sobre todo la crisis moral, que es la más corrosiva.

LRC | Combater a atual crise econômica seria possível através dos textos em eBooks dados seus preços muito mais acessíveis do que quando falamos de publicações impressas, mas para isso teríamos de estar no mesmo patamar de alguns países estrangeiros em que o eBook é um verdadeiro sucesso de vendas sem, contudo, atrapalhar as vendas das publicações impressas. Há que saber fazer conviver de forma harmônica esses dois tipos de publicações, o eBook e o impresso, como um dia fizemos conviver televisão e jornais impressos que, se hoje estão em menor número não é absolutamente por causa da televisão que foi combatida pelos jornalistas e autores de textos impressos quando surgiu, mas por causa de uma crise que se prolonga e atinge muitos segmentos além do financeiro.

AP | Conversemos de estrategias visibles e invisibles… ¿Cómo atraer al mercado global?

FM | La palabra-llave es la misma, en cualquier actividad de mercado: difusión. Por supuesto que hablamos de difusión de un obyecto de calidad. Es indispensable establecer la diferencia, porque el mercado está saturado de mercancías de baja calidad. El mercado de libros no es distinto. Así que la estrategia esencial apunta en la dirección de muy buena y activa difusión, a través de los mecanismos de publicidad de Amazon, así como la difusión que hacemos a través de las redes sociales y la complicidad que mantenemos con nuestros amigos de las artes, editores de revistas, periodistas etc. A ver que sale de todo esto…

LRC | Concordo com Floriano: divulgar, divulgar e divulgar de todas as maneiras possíveis sem perder o foco da qualidade; porém, não se pode negar que um público leitor mais assíduo seria desejável, embora saibamos que isso se consegue com educação e tempo.

AP | En conversaciones que mantengo con personas y amigos de diversos países y medios, muchos opinan que todavía los lectores de libros impresos no se “acostumbran” al eBook, en otras palabras “no se siente cómodos”. ¿Cómo lograr que se integren a las parafernalias digitales…?

FM | Hay que insistir que se tratan de modos distintos de acercamiento de contenidos. Es plenamente posible contar con los dos mundos, el impreso y el virtual. Fíjate que lo mismo se decía de los periódicos que hoy circulan ampliamente en el medio digital. El problema mayor no está en el formato de presentación de la lectura, sino en el interés por la lectura misma. Esto es lo que más me preocupa, sobre todo en un país como Brasil, el agotamiento de la lectura relevante. En eso sentido, ojalá el mundo digital pueda ayudar simplemente por ofrecer un nuevo formato de acceso.

LRC | Essa é uma questão de difícil resposta, porque vemos em ônibus, metrôs etc., assim como nas casas, pessoas das mais diferentes faixas etárias com kindles nas mãos lendo… São aparelhos que tornam muito mais fácil o transporte e manejo dos textos do que livros impressos. Além disso, apesar de acreditar que o hábito do livro impresso seja próprio de uma faixa etária mais elevada, quando os eBooks nem sequer existiam, acredito bem fortemente que o verdadeiro leitor, não permite que o meio o impeça de chegar ao conteúdo com o qual deseja se deleitar, como prova o grande Esdras do Nascimento, autor também da Editora Cintra, recentemente falecido que, aos 83 anos possuía três aparelhos kindles e só lia em eBook, porque cada kindle comporta 3 mil títulos, não pega poeira, é de fácil transportar e não gasta espaço.

AP | Quizá es importante que podamos conversar en relación a las ediciones alternativas en contraposición con las ediciones de los emporios editoriales… ¿similitudes, diferencias?

FM | No veo como contraposición. Hay de todo en los dos modos, el mundo está tomado por el preocupante crecimiento de la basura. Hay una creciente marginalización del ser, el interés de convertir al ser en pieza de reposición de un mercado de almas. Cada uno reacciona a su modo, por supuesto. Pero la más grande calamidad radica en la inacción.

LRC | Espero que hoje, como sempre, haja a similitude da procura da qualidade e que a diferença sirva apenas para publicar mais títulos, já que nem todos caberiam em uma única casa ou forma de edição.

AP |¿Podemos referirnos a generaciones de lectores en papel y digitales…? Hace unos años este cuestionamiento se hubiera percibido como algo utópico, podemos afirmar que ya existe “la generación” de lectores digitales de un modo convencido y autónomo. ¿Opinión?

FM | Bueno, que así sea, pero… ¿Qué importa? ¿Qué importa, tomemos la música por ejemplo, que exista una generación de música acústica y otra de música electrónica? Nada de eso define la calidad del arte, más aún, la calidad de la vida.

LRC | Penso que cada vez mais países com maior número de leitores acessam de todas as maneiras os livros; logo, são mais acessíveis a essa nova forma de publicação, sem deixar de ler os impressos. Acredito que em locais semoventes como ônibus, metrôs, etc. se vê mais pessoas lendo publicações digitais pela facilidade de transportar e isso pode nos levar erroneamente a acreditar que apenas os jovens, que usam esse tipo de transporte leem no digital, o que não é verdade, pois isto se constata apenas pela facilidade de transportar os livros nos veículos coletivos como em viagens. O que me parece é que no Brasil, especialmente, novidades de qualquer tipo, que não se refiram a moda e cosméticos, demoram um tempo maior para serem incorporadas.

AP | Para concluir, se habla de un “catálogo” con un inicio de 20 títulos para los próximos 6 meses… Es un trabajo acelerado y lleno de matices… ¿Cómo piensan enfrentar la producción, el diseño de portadas, composición de páginas internas, la distribución, las ventas… y sobre todo la calidad editorial…?  

FM | Bueno, el primero paso es de cierto modo lo más tranquilo, pues estamos trabajando con libros ya existentes, algunos que inclusive tuvieron una primera edición impresa. Libros que son una re-compilación de textos dispersos en periódicos y volúmenes con autores diversos. La parte del diseño gráfico está conmigo, incluso las portadas. Ya Leda cuida de la preparación técnica de cada título para inserción en la plataforma Kindle, de Amazon. Manejamos los dos las estrategias de distribución y Leda hace el acompañamiento de las ventas. Es un trabajo muy dinámico y me encanta esa perspectiva creada por nosotros, esa mecánica mágica del descubrimiento perene de uno en el otro. Las relaciones de trabajo son también relaciones amorosas. Así es la vida.

LRC | Vejo que parte da resposta já foi dada por Floriano e concordo; ademais, o que importa mesmo aos dois selos é, além do encantamento da parceria, que cada título tenha examinada cuidadosamente a qualidade, para que sejamos não grandes vendedores de livros, mas sim divulgadores de inéditos e textos de grande qualidade esquecidos nas gavetas e que não podem nem devem ser esquecidos porque a perda seria da própria humanidade.


2. CLAUDIO WILLER | Poeta e ensaísta brasileiro

CW | Como veio à luz esta parceria editorial, gerando este novo selo com um nome tão bonito, O amor pelas palavras? Quais os planos?

FM | O título da coleção foi emprestado de um de meus primeiros livros publicados, em 1982. Mas reflete, em essência, a intensidade de nossa relação com o mundo dos livros e com a palavra dada, não apenas escrita. Funciona, portanto, como uma carta de princípio. Há uma relação de mercado, certamente, considerando que os livros estão à venda, porém o que é determinante é criar novas perspectivas de acesso a títulos que o mercado comum não dá atenção.

LRC | Embora concordando com o que foi dito por Floriano, de que nossa meta não é essencialmente financeira, acredito que essa parceria é uma tentativa de fazer o mercado livreiro e principalmente o mercado do eBook despertar para o fato de que se pode publicar com excelência de qualidade tanto no papel impresso como no digital, sem esquecer que o digital nos dá a possibilidade de pensar primeiramente na qualidade do que é oferecido, sem precisar pensar tão emergencialmente no retorno financeiro da empreitada, porque o investimento pequeno dessas publicações torna isso possível.

CW | Floriano e Leda Cintra já se conheciam faz tempo, não é? Já havia um diálogo, um interesse em colaborarem? Façam um resumo desse diálogo.

FM | Conheci Leda Cintra quando, já não recordo por sugestão de quem, eu a procurei para atuar como agente literária em busca de edição justamente para o livro Memória de Borges, com que hoje abrimos a nossa coleção. O livro sofreu uma recusa generalizada por conta dos habituais entraves que a viúva do poeta argentino levava a termo pelos corredores editoriais em diversos países. Mesmo que se soubesse que os direitos autorais deste livro não pertenciam ao Borges, e sim aos diversos jornais e revistas onde as entrevistas foram publicadas, o fato é que as editoras não queriam arriscar. Finalmente o livro sai pelas Edições Nephelibata, de Santa Catarina, em uma belíssima caixa com dois volumes, edição artesanal, com uma tiragem de 60 exemplares. Meu convívio com Leda se intensificou a partir daí, ela passou a colaborar com a Agulha Revista de Cultura, ao mesmo tempo em que editou um livro de contos do costarriquenho Alfonso Peña e um livro meu: Invenção do Brasil. Era então uma versão resumida do livro homônimo que hoje tratamos de incluir na coleção. Por desdobramento natural, uma vez que sempre trocávamos e-mails a respeito dos problemas editoriais no Brasil, nos veio a ideia de somar nossas duas casas editoriais em torno de um projeto comum, utilizando apenas a plataforma virtual, com a determinação de compor um catálogo relevante.

LRC | Pois é… a recusa de publicar Memória de Borges por causa das invectivas da viúva foi quase trágica. Os editores queriam o livro, reconheciam sua importância, mas editores não costumam se arriscar em polêmicas com herdeiros de direitos autorais, mesmo quando os direitos sejam tão questionáveis quanto neste caso, em que se resguarda muito mais o nome de Jorge Luis Borges do que direitos que, como disse Floriano, pertencem aos entrevistadores. Acredito que a questão dos direitos autorais deveria ser melhor revista, porque resguardar os autores é publicar seus textos, não esquecê-los mercê da não politica dos herdeiros, como acontece  com frequência no nosso país em que grandes autores e suas excelentes obras terminam caindo no esquecimento mercê de herdeiros e de editores que se digladiam sem nenhuma noção.

CW | Seu campo, Floriano, tem sido preferencialmente o surrealismo – que, no Brasil, virou dissidência cultural, pelo modo como é desconsiderado por elites pensantes. Sua colossal pesquisa – em especial sobre manifestações do surrealismo fora da França – terá reflexos nas pautas ou títulos dessa nova série?

FM | Não creio que seja possível, do ponto de vista de uma prática quando menos razoável de abrangência cultural, deixar de fora o surrealismo de qualquer catálogo editorial. Seja pela importância fundamental do movimento, quanto pelo volume impressionante de títulos que acompanha a vida literária de incontáveis países. Eu tenho em preparo no momento dois livros dedicados ao tema. O primeiro deles é uma bem abrangente antologia poética de poetas surrealistas em todo o mundo, com um total de quase mil páginas. Este livro deverá ser publicado até novembro. O outro volume requer mais tempo de preparo, por se tratar de um volume crítico de diálogos que venho mantendo com estudiosos do surrealismo em países como Portugal, México, Espanha, Grécia, Austrália, Holanda etc. Pouco antes de sua morte, deixaram comigo originais dedicados ao surrealismo os poetas André Coyné (França) e Carlos M. Luis (Cuba). Como temos uma previsão de 20 títulos para este resto de 2017, estes originais em breve entrarão em fase de digitação, e creio que será possível publicá-los no início do próximo ano. Há também livros dedicados ao surrealismo que já se encontram na previsão editorial para este ano: ensaios do argentino Aldo Pellegrini; uma antologia poética do Roberto Piva, em espanhol; um amplo volume de teatro automático escrito a quatro mãos por mim e Zuca Sardan; um estudo crítico que preparei sobre a obra plástica da artista Susana Wald etc. Aqui é importante destacar que os livros atendem a leitores tanto em idioma português quanto espanhol, o que amplia o alcance de nossa aventura editorial.

LRC | Acho importante a publicação dessas obras dedicadas ao surrealismo que, na América Latina, quase exclui o Brasil, em que o desconhecimento por essa corrente literária se resume a Dali.

CW | Leda Cintra, como se projeta seu campo de interesses nessa programação editorial? Haverá mais sobre Pagu? Sobre censura e seus malefícios?

LRC | Como disse no inicio, o instigante nessas publicações digitais, interesse maior da editora Cintra é a possibilidade de tirar do esquecimento nomes como Geraldo Ferraz, do qual publicamos Doramundo, o romance que em 1956 foi considerado o melhor do ano, sem nos esquecermos que foi o ano em que Guimarães Rosa teve publicado seu Grande Sertão Veredas. Também de Geraldo Ferraz publicaremos outros livros como Depois de Tudo, uma autobiografia quase já esquecida, assim como Jorge de Andrade, do qual publicamos todo o teatro, num belíssimo trabalho de Elizabeth Azevedo que complementou essa edição de suas peças com apresentações  e prefácios  de professores, críticos, gente do teatro como Antonio  Candido de Mello e Souza, Carlos Guilherme Motta,  Antunes Filho etc.
Sim, pretendemos publicar toda a obra de Pagu que, como você sabe melhor do que ninguém é mito, mas mito em um país como o Brasil, periga ter o nome usado desde escolas até brechós, sem dar satisfação aos herdeiros. E olha que os herdeiros da obra de Pagu, seus netos e noras, são bem simpáticos com os pretendentes a alcançar esses títulos… mas Pagu está atualmente em vários países, com seu Parque Industrial, tais como Estados Unidos, México, França, Croácia e, em breve, sairá pela nova Editora Linha a Linha, que começa seu catálogo com esse título aqui no Brasil onde já se encontra disponível em ebook pela Editora Cintra. Veja, entretanto, que são traduções de estudiosos, professores universitários, que descobrem Patricia Galvão e sua obra em feiras culturais e por ela se interessam a ponto de traduzir e buscar editoras. No Brasil fazer os leitores comprarem livros ou eBooks  é difícil, e para a Editora Cintra o maior exemplo disso é o de que todo mês são vendidos de dois a três eBooks de Parque Industrial, mas em uma promoção gratuita de 72 hs foram baixados 470 eBooks dessa autora. Isso, entretanto, em nada nos aborrece, como disse Floriano Martins, nosso foco maior não são as vendas, porque embora estejamos no mercado, o foco principal é o de preservar títulos da nossa lavra que sem as possibilidades dos eBooks morreriam nos fundos de gavetas parecendo pouco comerciais para as editoras que imprimem livros.

CW | Floriano, você é artista múltiplo, literário e visual. Isso tem consequências na escolha de títulos?

FM | Uma consequência natural. Não apenas no tocante à definição do catálogo, como também no cuidado com o projeto gráfico, considerando que assino capa e desenho interno de todos os livros. Além disto, me parecem já indissociáveis as criações literárias e plásticas, sendo bem comum a existência de escritores que são também artistas plásticos ou gráficos, e vice-versa.

Os Editores

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ÍNDICE

ALFONSO PEÑA | Cali Rivera & el arte para ser libres

HAROLD ALVARADO TENORIO | Los Nuevos y León de Greiff

JACOB KLINTOWITZ | Click – a arte da inclusão

JACOB KLINTOWITZ | Marcos Coelho Benjamim

JOSÉ ÁNGEL LEYVA | Eduardo García Aguilar, extranjero y sin banderas, el mundo es la raíz

MANUEL MORA SERRANO | Tres fabulillas

MARIA LÚCIA DAL FARRA | Da bike ao helicóptero: Vergílio Ferreira e Herberto Helder

MARIA LÚCIA DAL FARRA | Vergílio Ferreira e a nostalgia da aura

RAFAEL RUILOBA | Rogelio Sinán y sus voces mágicas

RICARDO ECHÁVARRI | México en la poesía surrealista

ARTISTA CONVIDADO | WOLFGANG PAALEN, por Aldo Pellegrini


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Página ilustrada com obras de Wolfgang Paalen (Suíça, 1905-1959), artista convidado desta edição de ARC.

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Agulha Revista de Cultura
Número 102 | Setembro de 2017
editor geral | FLORIANO MARTINS | floriano.agulha@gmail.com
editor assistente | MÁRCIO SIMÕES | mxsimoes@hotmail.com
logo & design | FLORIANO MARTINS
revisão de textos & difusão | FLORIANO MARTINS | MÁRCIO SIMÕES
equipe de tradução
ALLAN VIDIGAL | ECLAIR ANTONIO ALMEIDA FILHO | FEDERICO RIVERO SCARANI | MILENE MORAES
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ALDO PELLEGRINI | Wolfgang Paalen


La pintura moderna, constituye un apasionante fenómeno que hace de nuestra época   una de las más fecundas de la historia. Nos encontramos con un caos de escuelas, teorías, ortodoxias y heterodoxias, donde pululan creadores audaces, junto con mistificadores groseros o geniales. Las formas y los colores han sido usados para expresar lo inexpresable, lo que la palabra nunca se aventuró a sugerir, lo que la música apenas insinuó. Con colores y formas derramados sobre una superficie plana, se ha intentado revelar el secreto del hombre, penetrar con imágenes en las nociones de espacio y tiempo, darnos el contenido emocional de las matemáticas y de la lógica. Ahora con Wolfgang Paalen, la paleta del artista se propone mostrarnos los secretos de la materia, la intimidad del cosmos.
En el cúmulo de artistas improvisados, de exhibicionistas sin fe, de arribistas en busca del camino más corto, para abandonarlo cuando los "marchands" o "snobs" se lo sugieran, aparece Paalen con su arte reflexivo y firme, recorriendo un camino de pintor en donde cada etapa es lógica consecuencia de un desarrollo espiritual, donde nada es improvisado ni artificial.
Paalen es el ejemplo de una vida totalmente dedicada al arte; éste constituye su motivo de reflexión y a causa de él, viaja, estudia arqueología, filosofía, física. Fuera de los momentos en que el artista está al servicio de la creación, su lúcida mentalidad de investigador y de teórico pone todos sus recursos al servicio de la dilucidación de los problemas del arte. Su vida se resume así: nació en Viena en 1907; estudió pintura con Leo von Koenig en Italia en 1921; luego con Adolf Meyer en Berlín en 1923 y en la Hoffmann Accademy de Münich en 1925. Sufrió temprano la influencia de Renoir y Cézanne y en esa dirección, hizo sus primeros ensayos en la plástica. Luego Van Gogh produjo una sacudida más honda en su espíritu. En 1927 vio por primera vez en Münich pinturas de Klee, que lo impresionaron fuertemente. Se interesó por el arte primitivo que estudió en sus mismas fuentes: en 1933 visitó las cuevas de Altamira en España; estudió profundamente la antigua cultura de las islas Cícladas; actualmente, en México, es un apasionado investigador del arte azteca y maya. En las culturas primitivas buscó infatigablemente las formas esenciales y perennes de expresión plástica.
Paalen vive hoy en México, en su retiro de San Ángel, rodeado de los maravillosos colores del paisaje mejicano, que constituyen el laboratorio al cual se asoma para arrebatar, a través del color, los secretos de la naturaleza.
Prescindiendo de sus primeros ensayos bajo el influjo post-impresionista, su labor de creador plástico cumple tres etapas fundamentales: un período abstracto que transcurre desde 1932 hasta 1935, colaborando en esa época con el grupo abstracción-creación de París. En un segundo período entra en contacto con los surrealistas y su pintura se impregna de elementos poéticos, expresando las angustias, los ocultos contenidos anímicos; en esa época colabora directamente con el grupo de Breton desde 1936 hasta 1940, produciendo algunas de las obras más puras y de mayor calidad dentro de la pintura surrealista. En un último período que llega hasta el momento actual, se libera totalmente de influencias extrañas para buscar su camino personal. A este camino llega después de un prolongado proceso de maduración, resultado de su esfuerzo por comprender el mundo moderno, sus análisis de las posibilidades de la plástica, y especialmente guiado por la idea fundamental de que el artista no debe resignarse a la expresión del yo personal sino que debe constituirse en abanderado de su época, en punto de confluencia de todos los problemas del conocimiento, en síntesis emocional de la más alta esperanza humana.
Para cumplir propósitos tan ambiciosos, Paalen desarrolla, contemporáneamente con su obra de creador artístico una producción teórica de considerable envergadura. Con el fin de difundir sus concepciones, funda en 1942, en México, la revista DYN, de la que se publican seis números.
Paalen representa la inseparable conjunción de artista y pensador, que constituye el modelo del artista perfecto; es necesario que ambos -el creador y el pensador- rayen a igual altura, que ninguna de estas personalidades necesite el apoyo de la otra para existir. En efecto, la obra artística de Paalen es de tal naturaleza, que puede vivir perfectamente sin el apoyo de ninguna teorización. Su pensamiento teórico, a su vez, supera la racionalización de los propios impulsos artísticos, para lanzarse a un análisis del sentido general del arte, para superar el arte mismo y buscar el sentido del hombre, sin detenerse ante las más arriesgadas especulaciones filosóficas (1).
Detengámonos ahora en el examen de su producción artística. En el período abstracto (producción que desgraciadamente se ha perdido en gran parte a consecuencia de la última guerra), procede por grandes planos de color o superficies y líneas escuetas, detrás de las cuales asoman los restos de formas naturales, como se encuentran en algunas culturas primitivas; por eso su biógrafo Regler (2) denomina a este período de su pintura, período cicládico. "El hombre y su máscara" es prototipo de esta época, en la cual ya se insinúa la gran obsesión cósmica que encontraremos permanentemente en toda la obra de Paalen: "Rostro planetario" (tema que repetirá en sus distintos períodos, siempre bajo nuevas formas) y "La Rueda de la Tempestad" son manifestaciones de esta obsesión.
Estamos lejos del análisis plástico del cubismo y también de la búsqueda de formas sin contenido del arte abstracto propiamente dicho.
Después de su contacto con los surrealistas, Paalen se lanza a la realización de grandes paisajes emocionales. El intenso sentido poético que los surrealistas preconizan en la plástica, domina sus cuadros de entonces. El color adquiere una transparencia y delicadeza infinitas para poder impregnar a la tela de los más puros contenidos anímicos. Así produce maravillosos cuadros tales como "Fata Alaska", "El barco del espacio", "Restos Inmortales" y la serie de "Paisajes Totem". Son paisajes de desolación y de angustia que semejan la superficie de planetas muertos, donde surgen extrañas formas sin vida. La línea del horizonte da sin embargo, perspectiva humana a estos cuadros. Este conjunto de obras, junto con las de Tanguy, expresan quizás lo más puro de la pintura surrealista de aquella época. En este mismo período se lanza a la investigación en el terreno del azar plástico y surgen entonces sus famosos "fumages" obtenidos por acción del humo sobre la tela.
En 1938 y siempre dentro de la tendencia surrealista su pintura evoluciona desde esos desolados paisajes de primitivas épocas geológicas, hacia construcciones que parecen representar el caos primero de donde surgiera la vida: de aquí nace una nueva serie donde parece concentrarse la lucha por lograr formas definidas de vida, una lucha extraña y desgarradora que se manifiesta en los cuadros denominados "Tempestades Magnéticas", en la serie de "Combates de los Príncipes Saturninos", en "País medusado". Son embriones de vida que luchan contra el aniquilamiento, exhiben, ante los ojos mediocres del hombre de hoy, todo el terror de la creación del mundo, el gran drama cósmico e infinito que podría servir para despertarnos del letargo presente, de la civilización que nos ciega.
Hacia 1939 aparece en Paalen una procupación de orden completamente distinto, que se anuncia en su aguada "Entre la Materia y la Luz". En esa época se le revela la grandeza de la física posteinsteniana, hecho que, unido a sus elaboraciones estéticas lo conduce a la eclosión actual de su pintura. Pintura de intención fundamentalmente cósmica. De un punto de vista técnico se caracteriza este período por transformaciones importantes: desaparece el espacio tridimensional, con línea de horizonte y perspectiva; espacio que responde a leyes de percepción humanas, y que convierte por lo tanto al hombre en tácito protagonista. Tal cosa sucede en los cuadros surrealistas de Paalen (y exactamente lo mismo en los de Tanguy), a pesar de la total ausencia en ellos no sólo de elementos morfológicos humanos, sino de toda forma viviente.
Abandonando el espacio tridimensional. Paalen se lanza a la representación de un espacio multidimensional, ruta en la cual reconoce haber sido precedido por Kandinsky, quien por primera vez prescindió de toda representación natural para crear sobre la tela formas libres que parecían desplazarse en todas las direcciones posibles. En las pinturas multidimensionales, el hombre queda totalmente anulado en su triple calidad de protagonista, espectador y creador. El cuadro adquiere vida independiente. Paalen se lanza, nuevo Pigmalion, a dotar de vida a sus creaciones. La tela se transforma en un personaje extrahumano que tiene su significado específico, que vive e interroga; se convierte -según una feliz expresión del artista- en expectador. En ese momento contempla al hombre y le devuelve irónicamente la pregunta mil veces repetida por éste: ¿Y qué significas tú?
Las pinturas que Paalen, dominado por estas ideas, que creara desde 1940, significan uno de los aportes más originales y profundos al arte de nuestro tiempo. Para Regler, los "Cosmogones" ejecutados entre 1944 y 1945, constituyen verdaderos jalones en la historia de la pintura, y yo no estoy muy lejos de esa opinión. En estos cuadros Paalen parece haber penetrado en el mismo camino en el que Van Gogh se había introducido con furor demoníaco. Van Gogh había intentado la descomposición de la materia por la luz; fue el primer paso. Paalen avanza hacia lo más profundo de este camino, pero en lugar del arma desintegradora de la pasión demoníaca, penetra con su pupila indagadora, con serenos ojos de ultramicroscopio, para arrebatar los secretos de la materia donde lo infinito y lo finito se confunden. Con paleta de magia estupenda nos describe los más sorprendentes paisajes que abarcan el mundo de lo infinitamente pequeño y de lo infinitamente grande. Es la gran fusión de ecuaciones (emocional e intelectual) de que nos habla Paalen, donde se mezclan los elementos objetivos de la ciencia con la imaginación humana. Esta nueva ecuación que nos ofrece el arte, debería completar en lo futuro, la fría angustia de las puras ecuaciones matemáticas; estas últimas se refieren a la materia de un modo indirecto, nos anuncian como inalcanzable para el hombre, su esencia última, su íntimo secreto. Al arte corresponde acercarnos a ese secreto, y el arte de Paalen lo intenta. En el deslumbramiento de los grandes vértigos intranucleares que expresan sus cuadros, aparece como signo tranquilizador la parábola, la señal que nos hace inteligible la materia. Las parábolas confluyen en el signo DYN, símbolo de la tripolaridad de fuerzas, con el cual el hombre se explica el gran misterio de la energía cósmica.
Así ha penetrado Paalen, mediante los colores, en el secreto de la materia. Su pintura nos dice que hay una perfecta concordancia entre apariencia y esencia. Los colores (la apariencia) son ventanas abiertas hacia lo íntimo de la materia; pero sólo abiertas para el ojo superlúcido del pintor. ¿Qué nos revela de ese mundo que sólo conocíamos a través de fórmulas? Nos habla de panoramas donde la materia y el tiempo se confunden, nos habla de la gran síntesis.
Y vemos cómo en estos cuadros de Paalen el tiempo constituye una dimensión más de la tela; las formas y colores adquieren un sentido rítmico. Supera a la música en cuanto es ritmo condensado. El tiempo aprisionado por el pintor hace vibrar la tela. No es lo que pretendía Kandinsky: una transposición de la música en colores, sino la misma esencia del arte de la que tanto la música como la pintura han partido.
Allí vemos desfilar los maravillosos cuadros pintados por Paalen en estos últimos años: la serie de "Polaridades cromáticas" (años 1940-41 y 42) que nos abisman en ondas de color, las cuales nos conducen desde lo sombrío a lo lírico. En el mismo tono presenta los cuadros: "Figura paradinámica" (1940), "Personaje espacial" (1941), "Espacio liberado" (1941). Con el tríptico "Los primeros espaciales" (1941-44) entra más hondo en el drama del cosmos, captando tres instantes de un vértigo de grandeza alucinatoria. En "Los Cosmogones" (1944-45) culmina la pintura de este período: el movimiento desenfrenado de la materia se organiza en ritmos coherentes confluyendo hacia el centro del cuadro donde el signo Dyn materializa la síntesis final; estamos sumergidos en una verdadera vibración de color, algo que sobrecoge y al mismo tiempo tranquiliza, el punto de contacto entre el cosmos y la inteligencia organizadora. En parecido estilo pinta "Eroun" (1944), la sobria y delicada tela "Tripolaridad" (1944), "Gyra" (1943), la serie de "Aerogyls" (1944-45). Otro aspecto nos revelan las telas "Rueda Nuclear" (1942) y "Solarización" (1942); especialmente esta última recuerda las imágenes de la superficie del sol obtenidas por fotografías con luz de hidrógeno. Parecida impresión nos dan sus "starscape" (paisajes siderales).
Hacia el año 1946, sin abandonar la técnica que lo particulariza en este período, vemos que la alucinante vibración se aquieta, para conducir a un tipo de pintura que corresponde exactamente a lo que el mismo Paalen denomina "meditación plástica" (3). A este grupo pertenecen: "Los silenciosos" I y II (1946), los "Rostro Planetario" de 1946-47 y varias telas que llama simplemente "Rostro", ejecutadas en 1946 y 1947, la "Selan Trilogy" (1947), la "Hanmur Trilogy" (1947) y diversas pinturas y dibujos a tinta ejecutados sobre papel mexicano.
En este período de quietud, de "meditación plástica", está la pintura de Paalen actualmente, y así hemos visto oscilar toda su evolución pictórica entre los dos polos que significan la agitación del continuo fluir cósmico y la quietud de la meditación.
Toda la labor de Paalen en este último período se acompaña de una intensa labor teórica. En una brillante serie de ensayos, intenta una fundamentación de su pintura. Parte de las concepciones del filósofo americano John Dewey, quien preconizó la síntesis de imaginación y razón. La pintura para Paalen debe resultar de la fusión de la ciencia (ecuación lógica del universo); por este camino se logrará superar -dice- al surrealismo que postuló la omnipotencia de lo irracional y al materialismo dialéctico que afirmó la omnipotencia de la razón. La belleza, según Paalen, aparece cuando, lo que piensa el yo y lo que siente el yo, se integran en un modelo coherente, o sea, cuando las ecuaciones intelectuales y emocionales se fusionan.
Paalen analiza en su obra la crisis por la que pasa el arte moderno llegando a la conclusión que se trata fundamentalmente de una crisis del tema: el problema no es ya cómo pintar; no se trata de buscar nuevas técnicas, sino nuevos temas. Resume las soluciones dadas hasta ahora en el problema del tema: los cubistas se dedicaron al análisis plástico del tema; los surrealistas procedieron a la destrucción poética del tema utilizando las yuxtaposiciones insólitas, e introduciendo finalmente la literatura en la plástica; el arte abstracto brega por el abandono del tema. Paalen considera todas estas soluciones no satisfactorias y propone un tema totalmente nuevo: la creación de una cosmogonía plástica con la que se intentaría dar una imagen de las fuerzas ocultas en la naturaleza. Esta cosmogonía sería la auténtica expresión de nuestra época, considerando que cada cultura tiene su propia cosmogonía que corresponde a su particular concepción del mundo. Cada nueva cosmogonía tiene, según Paalen, su imaginería específica que es elaborada por una minoría que forma la vanguardia de la época. El modo de expresión utilizado por estas vanguardias resulta arbitrario y hasta ininteligible para la mayoría de sus contemporáneos; recuérdese, dice Paalen, lo difícil que resultó a las gentes de la época del Renacimiento asimilarse los principios de la perspectiva.
Toda la trayectoria de Paalen se revela como una búsqueda de las conexiones de su yo con el mundo que lo rodea. La síntesis emocional del macrocosmos y el microcosmos es para él la gran misión del artista y así retoma en un nuevo plano -el del arte- la antigua obsesión de los ocultistas. En esta forma, el hombre desaparece de su pintura como individualidad, para aparecer como esencia cósmica.
La ambición de revelar el secreto del cosmos en cada pincelada, la conmoción frente al gran enigma de la naturaleza, no es particular del último período de la pintura de Paalen; se la ve latente o manifiesta desde sus primeras creaciones del período abstracto: la obsesión de los rostros planetarios, tema que retoma a través de los años, tiene este significado.
Pero la misión del artista, dice Paalen, no concluye al dar una imagen emocional de la ciencia; el artista coopera en la labor misma del conocimiento, convirtiéndose en un anticipador. En "New Image" (4) Paalen señala la similitud de algunos antiguos paisajes de Klee con la fotografía infrarroja. Alice Paalen me refería la sorprendente semejanza que encontró -en ocasión de su visita a Alaska- entre los paisajes reales de esa región y el cuadro "Fata Alaska" pintado por Paalen algún tiempo antes.
La pintura de Paalen tiene, además de su valor intrínseco, una importancia fundamental para nosotros, espectadores en el gran campo del arte: se coloca francamente entre los caminos del surrealismo y del arte abstracto, señalando un camino nuevo. El error del surrealismo ha sido para Paalen querer poetizar la ciencia; el error de los abstractos querer hacer un arte científico; el verdadero camino para él, está en lograr la fusión integral de arte y ciencia. Así obtiene Paalen una pintura dinámica, que es la expresión plástica de la energía en movimiento y que se opone al neoplasticismo y concretismo, pintura estática que busca imitar los grandes esquemas inmutables del pensamiento. Paalen nos hace conocer, directamente, el fluir infinito, y de este modo, por el sendero de lo inagotable, el hombre penetra más seguro en el enigma del universo que a través del frío camino de las verdades simbólicas e indirectas de las matemáticas.
Pero más allá de toda reflexión estética o lógica, Paalen nos da un arte de pura exaltación; una exaltación sin tortura como podemos encontrarla en la música de Bach. Al contemplar sus cuadros se me hace claro el sentido de una extraña impresión: la voz silenciosa; es la voz que habla a los ojos de mundos maravillosos y eternos, de luchas y de quietud, de violencias que aspiran a una gran armonía. He aquí la voz silenciosa que nos habla con su lenguaje radiante: la voz de Paalen, el pintor cósmico.

NOTAS
1. No amengua en nada su tarea de pensador el que yo personalmente confiese no compartir sus puntos de vista sobre la dialéctica, expresados en su ensayo: "El Evangelio Dialéctico" (Dyn 1942, Nº 3).
2. Gustav Ragler: Wolfgang Paalen (Nierendorf, New York, 1946).
3. En una carta que me envió el 16 de julio de este año 1948 me dice: "En estos cuadros continúo expresando mis meditaciones plásticas sobre lo que es y sobre lo que podrá ser. Crece cada vez más en mí la convicción de que la meditación es tan necesaria como la acción y que el arte puede llegar a ser una especie de meditación activa y comunicable".
4. Dyn, 1942, Nº 1.  

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ALDO PELLEGRINI (Argentina, 1903-1973). Poeta e ensaísta, um dos mais contundentes difusores do Surrealismo em língua espanhola. Artigo publicado na revista Ciclo # 1 (Buenos Aires, 1948). Página ilustrada com obras de Wolfgang Paalen (Suíça, 1905-1959), artista convidado desta edição de ARC.

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ÍNDICE # 102

EDITORIAL | O amor pelas palavras

ALFONSO PEÑA | Cali Rivera & el arte para ser libres

HAROLD ALVARADO TENORIO | Los Nuevos y León de Greiff

JACOB KLINTOWITZ | Click – a arte da inclusão

JACOB KLINTOWITZ | Marcos Coelho Benjamim

JOSÉ ÁNGEL LEYVA | Eduardo García Aguilar, extranjero y sin banderas, el mundo es la raíz

MANUEL MORA SERRANO | Tres fabulillas

MARIA LÚCIA DAL FARRA | Da bike ao helicóptero: Vergílio Ferreira e Herberto Helder

MARIA LÚCIA DAL FARRA | Vergílio Ferreira e a nostalgia da aura

RAFAEL RUILOBA | Rogelio Sinán y sus voces mágicas

RICARDO ECHÁVARRI | México en la poesía surrealista

ARTISTA CONVIDADO | WOLFGANG PAALEN, por Aldo Pellegrini

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Agulha Revista de Cultura
Número 102 | Setembro de 2017
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